
Fotos: Jayme Brandão
Por Éder Ferrari
B.N – Quando o senhor entrou no Esporte Clube Bahia e quais cargos já ocupou?
Petronio Barradas - Na realidade eu vim da arquibancada e um companheiro meu de Fonte Nova me fez um convite para vim aqui para o Bahia, que foi Nilson Castro, conselheiro do clube, para ser diretor social. Jaime Crachede, vice-presidente, estava formando uma equipe de trabalho para o departamento social em 1987, para dar uma nova dinâmica ao departamento, o que ocorreu com a informatização, com a criação de competições, não apenas de futebol, mas de outros esportes, além de eventos. Inclusive fizemos um recadastramento de sócios naquela ocasião. Com a saída de Jaime, que tinha que cuidar das suas empresas, assumi a vice-presidência social e em seguida fui diretor administrativo, vice-administrativo, depois eu dei um auxílio como diretor de patrimônio. Fui convidado a ser o vice de patrimônio, mas não aceitei porque precisa de conhecimentos técnicos de engenharia, específicos que eu não tenho. Já com Francisco Pernet na presidência do Esporte Clube Bahia, fui convidado para ir para a divisão de base, inclusive naquela ocasião, alguns membros da imprensa como Silva Rocha, Antônio Vieira e Nilton Nogueira, fizeram minha cabeça para assumir a função. Porque eu já tinha uma ligação com o futebol desde 1888 e também com a educação física. Pegamos a divisão de base numa época difícil, 1995, mas, mesmo assim, conquistamos oito títulos inéditos fora do estado. Continuei na base no mandato seguinte, que foi de Antônio Pithon, e ai eu abro um parêntese pra dizer que eu me orgulho de nunca ter pedido um cargo aqui no Bahia e ter trabalhado na situação e na oposição, porém, sempre que fui convocado dei minha contribuição. Em 1999, já com Marcelo Guimarães à frente do clube, fui convidado para ser diretor de futebol, cargo que eu relutei um pouco em aceitar, já que acreditava que meu trabalho na base ainda estava na metade, apesar de já estar dando frutos no time profissional, haja visto as revelações da época e os títulos. Fiquei no departamento de futebol profissional até março de 2003, onde fiz um bom trabalho, mantendo uma base de jogadores durante dois anos, conquistando Campeonato Baiano e Copa do Nordeste, e tivemos boas participações nos Brasileiros. Também fui presidente do Conselho Administrativo, mas em 2003, me afastei do clube e só retornei em 2005 para assumir a presidência onde estou até hoje.
B.N – Como o senhor chegou a presidência após passar dois anos afastado da administração do clube?
Petronio Barradas - O presidente Marcelo Guimarães terminando sua gestão, vários conselheiros, e muitas pessoas foram convidadas para assumir o cargo, mas a situação era realmente muito difícil. E hoje muitas dessas pessoas estão jogando as pedras, mas não aceitaram ser a vidraça e isso é natural. Primeiro eu assumi interinamente e em novembro eu fui eleito pelo conselho deliberativo e agora estou deixando o Bahia. Hoje, todo mundo fala de vários nomes, tenho certeza que muitas dessas pessoas são capacitadas para comandar o Bahia, mas quando a situação estava realmente muito difícil, bem pior que hoje, ninguém assumiu. Tenho certeza que se na época que eu assumi o Bahia estivesse na Primeira Divisão, disputando Libertadores, com tudo em dia, eu não teria sido o presidente. Hoje é muito fácil falar, mas quem botou a cara na tela para bater fui eu e não me arrependo. Enfrentei tudo que tinha de bom e de ruim e não deixei nada para trás, como aconteceu em alguns clubes ai, (Esporte Clube Vitória) que você sabe muito bem, que fizeram o seguinte: “eu assumi hoje, então só vou me preocupar com hoje em diante, as dívidas da antiga gestão eu deixo de lado”. Essa não é minha maneira de agir, não é ético! Quando você aceita um cargo tem que saber que tem o lado bom e o ruim, do joio e do trigo. Estou terminando o meu mandato, algumas pessoas tentaram por meios ilícitos me tirar, mas não conseguiram me tirar porque eu não cometo falcatruas. Fui criado dentro dos princípios principais dos seres humanos como: respeito, sinceridade, ética e honestidade. Por isso, que agora, eu estou saindo do Bahia porque prometi a minha família e a mim mesmo que não iria tentar me reeleger. Saio com o coração tranqüilo porque sei que enfrentei os piores problemas com muita dignidade e coragem e não tive medo de colocar a cara pra bater como muitos que estão aí atirando as pedras não tiveram.
B.N – Mas o senhor pretende continuar ativo no clube?
Petronio Barradas - Eu vou ser torcedor do Bahia sempre e isso ninguém vai tirar. Mas se eu for fazer parte de uma chapa do conselho vou precisar participar normalmente. Mas, assim como aconteceu em 2003, não vou ter vida ativa no clube. Mas, claro que se precisarem de mim eu vou ajudar, porque já tive quase todos os cargos no Bahia com situação e oposição no comando e sempre estive disponível para ajudar. Agora não é da minha índole me meter na administração de ninguém, vou ajudar apenas como torcedor.
B.N – Para o senhor, qual o principal motivo da queda do Bahia?
Petronio Barradas - O problema é que hoje em dia o futebol virou comércio e o Bahia passou dificuldades financeiras, que às vezes as pessoas de fora não sabem. Tem as despesas e as receitas, e muitas vezes as despesas são muito maiores, principalmente para um estado como o nosso. Se o Bahia fosse de São Paulo, com a torcida que tem, tenho certeza que nossa situação financeira seria outra. Seriamos, com certeza, uma das equipes com a melhor situação econômica. Veja você que mesmo passando por tudo isso, nós não nos dispusemos de nenhum patrimônio, porque eu acho que é importante manter até certo limite. Tivemos crises políticas, das pessoas, que em vez de estarem todas unidas, eu criei um slogan “união e trabalho”, porque, quando o Bahia era unido, fechado, como dizem, estaríamos numa melhor situação. A partir do momento que começou essa desunião no clube você vê que o Bahia começou a ter problemas sérios, porque ninguém consegue trabalhar com uma pressão como essa. Eu costumo dizer que aqui um cisco vira um cesto.
B.N – Como começou essa desunião?
Petronio Barradas - De grupos, são tricolores, mas cada um pensa de maneira diferente, mas isso prejudica e influência negativamente o clube, e isso é que é pior mesmo cada um querendo o melhor para o Bahia. Por isso, que quando eu fui eleito coloquei aqui dentro gente da oposição como Ademir Ismerim e Rui Cordeiro, depois eles tiveram de deixar os cargos por necessidade das empresas deles, já que não eram pessoas remuneradas aqui no Bahia. Mas a partir do momento que uma equipe não trabalha coesa, que as forças se dividem a situação fica muito complicada. Você pode fazer uma pesquisa em qualquer clube do Brasil, que quando começam as brigas políticas internas a coisa desanda.
B.N – Esses grupos são encabeçados pelos ex-presidentes Marcelo Guimarães e Paulo Maracajá?
Petronio Barradas - Para você ter uma idéia, os grupos de Marcelo e Paulo sempre tiveram suas divergências, suas opiniões, mas sempre estiveram aí caminhando juntos. O que eu falo é que subdividiu muito. Você pode reparar que dentro do Bahia tem quatro, cinco grupos. Fora do Bahia, têm três, quatro grupos que trabalham separados. Aí você pensa, se todos os grupos fossem unidos. Se todos tivessem, inclusive, atendido meu chamamento de “união e trabalho”, as coisas estariam muito mais amenas, tava todo mundo remando no mesmo barco, na mesma direção. Mas, quando ocorre essa quebra da harmonia política, você pode ter certeza que o reflexo dentro do clube vai chegar, pode ser a médio, a longo, ou no caso do Bahia, a curto prazo.
B.N – Mudando um pouco de assunto, a impressão que se tem no Fazendão é que a divisão de base já não tem um tratamento especial. O senhor concorda?
Petronio Barradas - Você veja que na minha época de divisão de base, o Bahia estava com a vida financeira equilibrada, não que estivesse seguro, mas tinha dinheiro pra investir. E divisão de base é isso, investimento. Se você tem capital, você pode investir, se não tem, tem que dar prioridade de pagamento. Tem dirigente que diz que a torcida não paga, que é a quinta renda de um clube; eu não concordo. A renda de jogo é uma renda efetiva. E eu provo isso no ano passado, quando o Bahia enfrentou problemas financeiros, mas muito mais amenos do que esse ano por causa da torcida na Fonte Nova. A renda tem duas vertentes: a presença do torcedor em um time de massa é diferente. O atleta que vem jogar aqui no Bahia vem pela força da torcida, de sentir a presença constante e forte. A outra vertente é a financeira, porque você não tem apenas um jogo no mês, não é verdade? Então essa renda ajuda sensivelmente. É uma parte do filão financeiro muito importante e infelizmente esse ano não tivemos.
B.N – Então, a torcida pode perder as esperanças em ver surgir um grande jogador da divisão de base do Bahia?
Petronio Barradas - Nós temos hoje 15 garotos da base na equipe profissional mesmo com toda dificuldade. Nosso juvenil e infantil estão na final do Baiano. Temos um grupo de trabalho 1987/1988, que estão sobe o comando do professor José Carlos Queiroz, que ano que vem podem render frutos ao time principal. Acontece que quando um clube vai pra Série C ele perde a visibilidade e sem mídia fica complicado. A partir do momento que o atleta não está sendo acompanhado, fica difícil conseguir manter o investimento. Na realidade, para manter uma divisão de base de forma ativa mesmo, precisa ter um capital em torno de R$ 300 mil por mês, e o Bahia, infelizmente, não tem isso. O que todo clube faz além de buscar jogadores para serem utilizados no futuro é um projeto social, porque a maioria não tem a felicidade de conseguir sucesso como profissional de futebol, e as pessoas têm que entender isso. É complicado fazer isso sem recursos, porque você acaba tendo que escolher entre pagar os salários, tentar ter um time forte ou investir na base pensando no futuro, que pode não render tantos frutos.
B.N – Então, o senhor concorda que a base do Bahia está deixada de lado?
Petronio Barradas - Mesmo com toda dificuldade ainda conseguimos negociar Danilo Rios, Rafael Bastos, Eduardo, Elias, o que prova que nossa base ainda é forte. Mas acontece que nós ficamos dois anos sem mídia porque estávamos na Série C, agora quando retornamos a Série B perdemos nosso estádio e o outro não ficou pronto. Então, você tem que saber pesar as coisas: o que é mais importante? Pagar o fornecedor ou investir em estrutura? Tem a justiça do trabalho, os funcionários, todas as despesas, então você tem que saber pesar o que é mais importante, o que pode esperar um pouco, e usar o pouco recurso que temos para tentar manter as coisas funcionando.
B.N – Se o problema é exclusivamente financeiro, não faltou ao clube buscar parcerias?
Petronio Barradas - O Bahia procurou suas parcerias. Um clube como o Bahia não pode terceirizar, por exemplo, porque seria muito perigoso, os empresários começariam a se achar os donos do clube e querer ditar as normas. Em um clube de menor porte isso é possível, porque eles bancam esse clube como um todo. Tem até treinadores por ai que dizem que fazem parte de parcerias com empresários de atletas em formação.
B.N – Falando em treinadores, o ex-técnico do juvenil do Bahia, João Marcelo, em entrevista ao “Bahia Notícias” expôs toda a dificuldade de trabalhar na base do clube atualmente, inclusive de que estava a mais de um ano sem receber seus vencimentos...
Petronio Barradas - Com relação a João Marcelo, ele teve todas as condições de trabalho, tanto teve que ele formou uma juvenil que tem tudo para ser a campeã baiana agora. Tudo com trabalho e recurso do clube, ele teve toda liberdade de ação. E quando ele te deu a entrevista ele esqueceu de dizer que já havia recebido metade dos seus salários. Na realidade você tem obrigações na relação capital trabalho que tem que ser cumpridas, mas ninguém é obrigado a ficar em lugar nenhum, ele ficou por que quis. Ele sabia da condição financeira, mas também sabe da mídia que tem o Bahia e resolveu investir seu trabalho em cima disso, tanto é que conseguiu uma transferência pro mundo árabe. Na saída dele ele veio aqui e agradeceu ao clube e falou que pretende voltar para dirigir o time profissional, e como é muito esforçado e o trabalho dele está crescendo, tem tudo para ser um grande treinador aqui no Bahia.
B.N – E o Luís Pondé, que ficou apenas meia hora no cargo de treinador dos juniores, o que foi que aconteceu?
Petronio Barradas - Ele ficou meia hora no cargo porque o supervisor Enaldo Rodrigues precisou interferir em uma briga que houve entre dois atletas e ele ficou do lado de fora olhando sem fazer nada. Então, ele achou que o professor Ednaldo interferiu, mas ele que estava na linha de frente e tinha que resolver o problema. Como ele não fez, o superior dele foi lá e fez para dar o exemplo e por isso ele não continuou.
B.N – Presidente, passando agora para o profissional, sua diretoria é sempre criticada por falta de planejamento, principalmente pela constate troca de treinadores. O que o senhor acha dessas críticas?
Petronio Barradas - Repare bem: a mudança de treinadores às vezes é colocada como falta de planejamento e não é. Nós contratamos Paulo Comelli desde novembro, início de dezembro do ano passado, e ele já estava aqui trabalhando na montagem da equipe. O que acontece, às vezes, é a dificuldade de contratar atletas. Ou os caras ganham pra lá de R$ 50 mil, ou então vem o problema da série que o Bahia está disputando agora, infelizmente, muitos atletas foram convidados para vim jogar aqui na época do Comelli, mas preferiram aguardar uma proposta da Primeira Divisão, infelizmente essa é uma realidade. Entretanto, ainda assim, conseguimos trazer alguns jogadores de qualidade e que estavam sendo disputados no mercado pela força da marca do Bahia.
B.N – Então porque quatro treinadores?
Petronio Barradas - O Comelli não deu certo porque teve problemas com o grupo. Depois nós trouxemos Arturzinho e, inclusive, conversamos com o grupo para saber como ele era visto pelos jogadores, porque tem que haver integração entre comissão e atletas. E ele saiu daqui não porque a direção colocou ele pra fora. Na verdade, ele sentou aqui em minha frente faltando uma hora para a viagem do jogo contra o Fortaleza, logo após aquela invasão que teve aqui. Você sabe que a invasão deu uma negativa muito grande nos jogadores, que até hoje tem atletas que não podem ver um ônibus entrar aqui dentro. Um dia desses, teve um ônibus de uma escola aqui e já correu o burburinho de que tinha gente invadindo de novo. Voltando a Arturzinho, ele sentou aqui e disse que não estava mais feliz, que não estava satisfeito, mas eu não aceitei naquele dia porque o Bahia estava viajando para o jogo e não podíamos ficar sem treinador. Eu esperava que a viagem e o fim de semana servissem para acalmá-lo, pra voltar com a cabeça fria. Mas quando chegou à segunda-feira ele confirmou tudo, mesmo porque, o time ainda tinha perdido de 5x1, o que não tem nada a ver, e ele repetiu tudo que já tinha dito. O que eu acho é que ele sentiu muito aquela invasão, ficou receoso, atingiu muito a ele como treinador. Depois com a vinda de Roberto Cavalo, Arturzinho saiu, você tinha que trazer um treinador que tivesse a mesma vibração, mas ele não deu certo e a gente tinha que mudar. Ou você muda o treinador ou muda todo o elenco. Não é bom mudar, não é a nossa característica. Ano passado Arturzinho ficou o ano todo e esse ano a intenção era a mesma com o Paulo Comelli, mas infelizmente não deu certo.
B.N – O senhor falou que esperava que Arturzinho mudasse de opinião sobre o pedido de demissão após o final de semana, mas a contratação de Roberto Cavalo já estava bem encaminhada...
Petronio Barradas - Roberto Cavalo foi contratado no outro dia após a saída de Arturzinho. Mas, também, não podemos ficar parados. Um clube de futebol tem sempre que ter nomes de treinadores, de comissão técnica, porque estamos sempre no risco deles terem problemas com o grupo, o trabalho não ser de qualidade, ou receberem uma proposta e pedirem para ir embora. Por isso você tem que sempre estar com alguns nomes na pauta, para evitar ficar três, quatro dias sem comando. Foi tudo uma questão de circunstância.
B.N – O senhor se arrepende de ter contratado Roberto Cavalo?
Petronio Barradas - Não vou dizer que eu me arrependo porque não fiz, o departamento de futebol não fez. O que acontece é que trouxemos um profissional que tem vários clubes no currículo, conhece o futebol baiano e as referências eram as melhores possíveis, tinha um interesse imenso em trabalhar no Bahia, e nós achamos naquele momento que a dinâmica dele seria especial para esse grupo. Infelizmente não houve um encaixe na filosofia de trabalho dele com os atletas. Você vê o exemplo agora do nosso Ferdinando. Ele chegou agora e conseguiu passar sua forma de trabalho, teve uma integração com o grupo. Ele usa a chamada linguagem do boleiro e as coisas estão melhores. Além do mais, ele é conhecedor da capacidade dos nossos jogadores e conhece praticamente todos de jogar contra, já que enfrentou o Bahia cinco vezes desde o ano passado. Inclusive, depois que Arturzinho saiu, tentamos trazer o Ferdinando, mas ele, por questão de caráter e fidelidade, continuou no ABC.
B.N – E a contratação excessiva de jogadores que não renderam?
Petronio Barradas - Tem pessoas que dizem assim: “quem tem que contratar é a diretoria; quem tem que contratar é o treinador”. A realidade é que fazer contratações é sempre um risco. Você traz um jogador de nome, de qualidade comprovada e ele chega aqui e não rende. Por que o atleta antes de tudo é um ser humano. Ele tem a adaptação dele; dá família, na regionalidade, na metodologia de trabalho, o ambiente que ele vive na cidade. Então, tudo isso ele muda radicalmente, em 24, 48 horas. E com cada um acontece de uma maneira diferente. Às vezes até mesmo a família, a mulher não gosta do lugar, os filhos, e não deixam o jogador jogar tranqüilo. Você tem que saber dosar qualidade com quantidade, mas o que acontece é que com a situação financeira do clube, fica complicado juntar quantidade e qualidade. E mesmo com “aquela” qualidade, você precisa ter quantidade.
B.N – Qual é a participação dos treinadores na contratação de jogadores?
Petronio Barradas - Muitos jogadores foram indicados por treinadores. “Mas porque a diretoria não fala que o jogador foi indicado pelo treinador e ficou aqui?” Nenhum jogador é contratado pelo Bahia sem o aval dos treinadores, apenas os que já estavam no clube e que nós renovamos o contrato pela performance na última temporada. Acontece que contratação é risco e temos que ao máximo tentar aliar quantidade com qualidade.
B.N – Então o senhor concorda que houve excesso de quantidade?
Petronio Barradas - Você veja bem, como o treinador, por exemplo, os Brunos (Cazarine e Meneghel), foi indicação do treinador Paulo Comelli, que sentou ali naquele mesa e avalizou, analisou, assinou embaixo, como foi o caso próprio Galvão também, que é um jogador de qualidade e veio por indicação, pra você ver que existem os dois casos e como é arriscado contratar. Próprios treinadores que às vezes trazem o atleta, porque eles vêem os jogadores da base e acham que não estão prontos pra jogar. A gente não faz restrição nenhuma para que usem os atletas da base. Por exemplo, Paulo Roberto já estava aí, Ananias foi utilizado por um treinador e por outro não. A queda e a ascensão no rendimento são típicos dos atletas da base, que estão começando e ainda não tem a maturidade.
B.N – Dentre tantos problemas, qual foi o principal fator para o Bahia estar fazendo uma campanha tão fraca na Série B?
Petronio Barradas - O que abalou realmente foi à invasão, basta ver o desempenho antes e depois. Você pode falar com o grupo, com os jogadores que até hoje eles não conseguem jogar com absoluta segurança, aquilo assustou demais os atletas e eles estão intranqüilos.
B.N – Voltando a falar na política do clube, dizem que o verdadeiro presidente do Bahia é o conselheiro Paulo Maracajá e que o senhor está ocupando a cadeira apenas para que ele não perca o cargo no Tribunal de Contas dos Municípios...
Petronio Barradas -