Entrevistas
Por Maurício Naiberg
Bahia Notícias – Por que, aos 15 anos, decidiu virar paraquedista?
Sabiá - Vi um cartaz de propaganda e fui ver um salto. Me apaixonei pela arte da queda livre instantaneamente!
BN - Essa decisão não deve ter sido muito bem aceita por sua família. O que eles falaram quando praticou seu primeiro curso de paraquedismo?
Sabiá - Meu pai deu maior força e assinou o termo de autorização. Minha mãe demorou anos para se acostumar com a idéia.
BN - O que te dá motivação para saltar a cada dia de lugares diferentes, dos mais altos prédios e montanhas?
Sabiá - Gosto de ambos, mas sem dúvida minha paixão maior são as montanhas, principalmente as virgens.
BN - O que influi em um bom salto?
Sabiá - Um bom salto é aquele em que eu consigo realizar exatamente o que programei, incluindo chegada ao ponto do salto, saída, queda livre, tempo e perfeição na abertura do para-quedas, navegação e pouso.
BN – Por que você acha que o paraquedismo ainda não se desenvolveu mais no país? Falta patrocínio? Não temos muitas competições no Brasil, pelo menos com divulgação na mídia.
Sabiá - É um esporte caro e de elite. Assim como outras tantas modalidades esportivas, apoio governamental é indispensável para uma boa evolução.
BN - Para ser uma paraquedista é necessário a aquisição de equipamentos que não são baratos. Isso pode impedir que o esporte se popularize, como o tênis, por exemplo?
Sabiá - Sim.
BN – Por que você acha que o páraquedismo ainda não virou um esporte olímpico? O que falta para isso acontecer?
Sabiá - Isso nunca acontecerá. Os problemas com a aviação impedem que isso aconteça.
BN - Você tem um bom leque de patrocínios, algo que muitos atletas não têm hoje. Seu diferencial é a vontade de encarar a natureza e realizar novos desafios?
Sabiá - Vivo minha vida fazendo o que gosto. Os patrocinadores que me apóiam e que já me apoiaram estão sempre visando meu estilo de vida e as oportunidades que tenho na mídia.
BN - Qual o salto que mais te deu medo nessa longa trajetória no paraquedismo brasileiro e mundial?
Sabiá - Muitos. Entre os mais marcantes em termos de medo foram o primeiro da Cachoeira da Fumaça e do El Cap, na Califórnia.
BN - Teve algum salto que ficou marcado pela beleza do lugar e receptividade do público?
Sabiá - Em termos de beleza, milhares de saltos. De público, com certeza, saltar dentro do Maracanã com 90 mil pessoas delirando foi o máximo! Mas em Paulo Afonso, na Bahia, sempre tive uma ótima receptividade com o público.
BN - Já teve algum acidente ao longo desses 24 anos de carreira?
Sabiá - Não.
BN - Você participou das principais competições do esporte no mundo, com o X-Games e Olimpíadas de esportes radicais. Qual sua principal conquista nesses 20 anos?
Sabiá - Fui várias vezes campeão brasileiro em várias modalidades. Em termos de mundial alguns pódios. E para mim o vice campeonato de BASE jump em Kuala Lumpur, na Malásia, foi o máximo.
BN - Tem previsão de fazer algum salto aqui na Bahia?
Sabiá - Sempre! Amo a Bahia!
BN - Quando o paraquedista sabe a hora de parar e fazer do esporte só o lazer mesmo?
Sabiá - Difícil dizer, é uma questão muito pessoal.
BN - Você é formado em cinema pela UGF-RJ. Pensa em seguir essa profissão ainda ou é só um hobby?
Sabiá - Amo fazer cinema em queda livre, pena o mercado ser tão pequeno.
BN - Qual o próximo desafio do Sabiá? O maior prédio do mundo, inaugurado em Dubai?
Sabiá - Gostaria muito, mas as chances são poucas. Estou desenvolvendo um projeto com o Faustão para mais um grande desafio.
BN - Para finalizar, manda um recado para o público baiano que lê o Bahia Notícias.
Sabiá - Obrigado Bahia! A história da minha vida está 100% ligada com o estado da Bahia. Salto na Bahia desde 1988 e de lá pra cá foram milhares de saltos, histórias e o mais importante, amigos. Bons ventos e muito axé!
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